Como comprar dólar

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10 / 4 / 2015

Para o diretor de câmbio da TOV Corretoras, Reginaldo Siaca, existem duas principais formas de investir no mercado de câmbio para pequenos investidores: os fundos cambiais e a própria compra da moeda.

Os fundos cambiais nada mais são do que carteiras mistas de investimentos onde o dólar é usado como indexador de rendimento [se o dólar subir, você ganha mais]. Normalmente, 80% da carteira do fundo é compra de moeda e outros 20% são ativo em dólar e até títulos públicos. “É muito importante fazer esse mix para proteger-se da volatilidade no curto prazo do câmbio da moeda americana”, aconselha Siaca.

Esse investimento só é aconselhado para quem não vai ficar paranoico com o sobe-e-desce constante do dólar. “É um investimento apenas para um pequeno percentual do seu patrimônio, aquela parte que não vai fazer falta mesmo se evaporar”, avisa o economista e professor da FGV-RJ, Mauro Rochlin.

A dica é estabelecer uma meta. Suponha que você acredite que o dólar atingirá R$ 3,50. Se isso acontecer, embolse o ganho e saia da aplicação. Reginaldo usa uma analogia para explicar os riscos de comprar moeda. “No mercado de câmbio, os valores sobem de escada e descem de elevador.”

É importante ficar de olho nas taxas de administração ao escolher um fundo cambial. Elas podem variar muito e farão diferença na hora do rendimento. Além disso, o pagamento de IOF e Imposto de Renda (entre 22,5% e 15%, conforme o prazo de operação) sobre o ganho, quando houver, podem tornar esse investimento menos vantajoso. Mesmo assim, Siaca insiste em dizer: “Dólar sempre foi um bom investimento a longo prazo. No curto prazo, ele é pressionado pelos problemas internos de um país”, como ocorreu em 2014.

Já a compra da moeda em si, pode ser um bom investimento para ganhar rendimentos altos, complementa Rochlin. “Ao analisarmos o histórico da moeda americana, ela está desvalorizada agora. A tendência sempre será de crescimento no longo prazo, de um a dois anos”. Se o governo conseguir fechar o ajuste fiscal [corte de gastos, aumento de impostos etc.], no entanto, a tendência é de que o real retome o seu poder de compra, segundo Siaca.