Como funciona o empréstimo consignado para quem tem nome sujo

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11 / 2 / 2015

Um levantamento realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), aponta que três em cada dez brasileiros já recorreram ao empréstimo consignado . Cada vez mais utilizado, essa modalidade de crédito tem as menores taxas de juros  por oferecer pouco risco para as instituições financeiras, já que o valor das parcelas é descontado diretamente na folha de pagamento.

Por ter taxas atrativas, muitos brasileiros com nome sujo tentam recorrer a essa modalidade de empréstimo. Em alguns casos, é possível conseguir aprovação. A Caixa Econômica Federal informou ao MoneyGuru que a restrição no nome não impede a contratação do consignado, porém o cliente irá passar por uma avaliação de crédito. Alguns fatores a serem considerados são o histórico do cliente, a renda mensal e o valor solicitado. O Bradesco também pode oferecer empréstimos consignados para negativados, mas também fará uma análise detalhada do perfil do cliente. As condições ainda variam de acordo com as condições da parceria, no caso de empresas privadas que fazem convênio com bancos para concessão de empréstimo consignado.

Quem pode solicitar empréstimo consignado?

O empréstimo consignado só pode ser contratado por quem tem uma renda fixa ou regular, ou seja, quem é contratado com carteira assinada ou é funcionário público. A garantia de ter uma renda mensal faz com que o risco diminua, por isso os juros são menores. Assalariados com carteira assinada (desde que o empregador tenha convênio com o banco), aposentados e pensionistas do INSS , funcionários públicos e integrantes das forças armadas estão nas categorias que podem ter acesso a esse tipo de crédito.

Os bancos tendem a dar condições melhores aos funcionários públicos e aos aposentados pela estabilidade nos recebimentos. O fator que determina o custo dos juros é o risco de calote de quem empresta o dinheiro. Segundo José Vignol, educador financeiro do SPC Brasil, um trabalhador de uma empresa privada corre mais risco de perder o emprego do que um servidor público. “Devido a sua estabilidade, o servidor consegue empréstimos em melhores condições do que o funcionário da empresa privada”

As taxas do consignado não são sempre mais baixas

Vignol ressalta que, dependendo do cliente, nem sempre o consignado tem as taxas mais baixas. “Se formos comparar as taxas de juros do Banco Central, os empréstimos consignados variam de 20,76% a 116,36% ao ano e o crédito pessoal não consignado varia de 23,21% até 1.046,83%. Na prática, as taxas para os consignados não são tão inferiores, é muito importante pesquisar e comparar”, explica.

O educador financeiro também destaca a importância do planejamento para realizar esse tipo de empréstimo. “O consignado oferece a vantagem de pegar dinheiro emprestado mais rapidamente. Em poucas horas o valor já está disponível na conta do trabalhador. Por outro lado, a pessoa que toma esse tipo de crédito precisa aprender a conviver com um salário ou renda menor”, diz Vignol.

O consumidor deve saber ainda que de acordo com as determinações do Banco Central, o valor da parcela do consignado não pode ultrapassar 30% do salário ou da aposentadoria.

Aposentados, cuidado com os favores 

Na modalidade consignada ao INSS, o crédito é muito fácil, sem burocracia e com taxas relativamente atraentes, comparada a outros produtos. “As vantagens fazem com que filhos, netos e conhecidos solicitem um empréstimo consignado no nome de um aposentado. O problema é que muitas vezes eles acabam levando calote, o que implica em uma grande redução do rendimento mensal do idoso e prejudica dívidas de sobrevivência, como alimentação e medicamentos”, afirma o professor de economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Samy Dana.

Use o consignado para pagar dívidas mais caras

Segundo a pesquisa do SPC Brasil, 47% das pessoas que contrataram o empréstimo consignado destinaram o valor para pagar dívidas de outros empréstimos como as do cartão de crédito, 15% usaram o dinheiro para comprar eletrodomésticos e móveis, 14% sanaram dívidas com contas domésticas, como aluguel, condomínio, luz e telefone. 

“Esse tipo de crédito deve ser muito bem planejado e acionado em situações de sufoco, como pagar uma dívida muito cara, como o rotativo do cartão de crédito, que cobra um dos juros mais caros do mercado ou em situações de emergência, como danos causados à residência”, explica Vignoli. 

Segundo o especialista, usar o dinheiro do empréstimo para pagar contas ou comprar eletrodomésticos são situações que precisam ser programadas com cautela e antecedência para que se encaixem no orçamento familiar. A principal recomendação é fazer empréstimo consignado apenas para pagar outras dívidas com juros mais caros. Se não estiver endividado e não precisar do dinheiro com urgência, evite solicitar.