Motos podem ter custos mais altos que carros

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16 / 4 / 2014

Óculos escuros, bandana, calça jeans e um colete de couro preto. Essa é a típica imagem que muitas pessoas fazem de um motociclista, rodando ao som de bandas como Lynyrd Skynyrd, AC/DC e Steppenwolf, com o sol refletido no asfalto. Talvez até uma barba grisalha e um jeito marrento façam parte do visual que as pessoas imaginam nesse personagem. Mas nem todos os amantes de duas rodas possuem essa vida born to be wild, muitos usam a moto como contraponto à vida urbana. E, veja, há gente de todas as idades nessas fileiras. A única unanimidade entre eles é a de que os gastos com as suas motos valem muito a pena.

Um exemplo é Bento Ribeiro, 50 anos, que mora em São Paulo e tem duas motos estacionadas em sua garagem: uma Yamaha Super Teneré XT 1200Z, ano 2013, e uma Suzuki Boulevard C1500, ano 2008. Ele trabalha como representante comercial e usa suas motos apenas para viajar. A paixão pelo motociclismo começou aos 15 anos, quando ganhou de sua mãe uma Honda CG 0km. “A relação é de amor, como se ela fosse um filho”, diz.

Com o bancário Alex Rodrigues, de 48 anos, não é diferente. Ele é casado e considera que tem quatro filhos: duas meninas, um menino e uma moto Shadow 600cc. “O motociclista tem seus problemas diários, mas procura a liberdade para esquecer deles”, fala. “A moto de passear é para observar a natureza, qualquer que seja a paisagem.”

Já o administrador de empresas Luiz Facundo de Almeida, de 56 anos, conta que fez diversas viagens inesquecíveis de moto, mas a que mais o marcou foi a última, onde percorreu diversas estradas do norte do país como a BR-230, a Transamazônica, a BR-319 e a estrada que liga Humaitá a Manaus. “Fazer curvas numa motocicleta é muito mais divertido do que em um carro. Você sai do isolamento da lataria e tem muito mais contato com o ambiente e com as pessoas.”

Dependendo da situação, as roupas para andar de moto são diferentes. Para ir ao trabalho, Luiz prefere luvas ‘meio dedo’ e uma jaqueta jeans. Já quando pega a estrada ele coloca jaqueta, calça de cordura (tecido parecido com nylon) e luvas que cobrem toda a mão. “Os que pilotam motos esportivas gostam de usar macacões de couro do tipo que se vê nos GPs de moto”, fala. “Já o pessoal das motos customizadas (com acessórios cromados) muitas vezes opta pela velha jaqueta de couro e os das motos big trail adotam a parca de cordura.”

E sobre os custos? É mais caro manter uma moto do que um carro? Depende muito do modelo e também da cilindrada e potência do motor. Quanto maior for a cilindrada, mais cara será a manutenção dela, por causa do valor das peças e acessórios. “Existem custos importantes na manutenção de uma moto, mas onde você mais gasta é com acessórios. Esses sim parecem gastos infinitos e sem limites”, explica Bento. “Mas é possível planejar e fazer um orçamento com relação aos gastos como revisão, troca de óleo, pneus, freios etc. e também quanto às viagens, que devem ser programadas”. Já Luiz, que tem uma moto grande, conta que andar de carro sairia mais barato. Mas ele acredita que “pela paixão, não importam os custos”.

Os chamados motoclubes turbinam ainda mais essa paixão, promovendo passeios, encontros e reuniões entre os motociclistas, sejam donos de motos da mesma marca ou apenas grupos de amigos. Ficou com vontade de montar em uma moto e participar dessas reuniões? Segundo Alex, que também é presidente do Jaçanã Moto Clube, é bem fácil aderir: os encontros costumam ser marcados pelas páginas de Facebook, nos sites dos clubes ou pelo boca-boca. “Acabamos formando uma família. Encontramos com outros motoclubes, saímos para passear e curtir juntos” conta.